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domingo, 1 de maio de 2011

Restrição de carboidratos diminui taxa de triglicerídeos hepáticos

Um prato com baixo teor de carboidratos e gostoso!
Restrição de carboidratos diminui taxa de triglicerídeos hepáticos

Data: 28/04/2011
By Rita de Castro Borges Castro

Estudo publicado na revista The American Journal of Clinical Nutrition avaliou a restrição calórica ou de apenas carboidratos na redução de triglicerídeos (TG) hepáticos em indivíduos com doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA). Os autores concluíram que a restrição de carboidratos tem mais vantagens na perda de peso em curto prazo e na redução de TG hepáticos.

O objetivo do estudo foi avaliar a mudança no conteúdo de TG hepáticos, após 2 semanas de intervenção nutricional, por meio da técnica de espectroscopia de prótons por ressonância magnética.

Foram avaliados 18 indivíduos com DHGNA (n = 5 homens e 13 mulheres), com idade média de 45 anos e índice de massa corporal de 35 kg/m2. Os pacientes foram submetidos a uma dieta com restrição de carboidratos (20g/dia) ou com restrição calórica (1200-1500 kcal/dia) durante duas semanas. Os TG hepáticos foram medidos antes e depois da intervenção.

A média de perda de peso foi semelhante entre os grupos -4,0 ± 1,5 kg no grupo de restrição calórica e -4,6 ± 1,5 kg no grupo de restrição de carboidratos. Os triglicerídeos hepáticos diminuíram significativamente com a perda de peso (p < 0,001), mas essa redução foi significativamente maior (p = 0,008) nos pacientes submetidos à dieta com restrição de carboidratos (-55 ± 14%) do que nos indivíduos submetidos à restrição calórica (-28 ± 23%).

“Os indivíduos com DHGNA tem excesso de triglicerídeos intra-hepáticos devido ao aumento da síntese hepática de gordura a partir de carboidratos. Embora a perda de peso seja recomendada, pouca atenção tem sido dada a restrição de carboidratos na dieta”, comentam os autores.

“Concluímos que duas semanas de intervenção nutricional resultou na redução no peso corporal e no teor de TG hepáticos em indivíduos com DHGNA. No entanto, a restrição de carboidratos na dieta foi significativamente mais eficaz na redução dos triglicerídeos no fígado do que a restrição calórica. Nossos dados sugerem que este resultado deve ter ocorrido devido ao aumento da oxidação dos lipídios hepáticos”, concluem.

Referência(s)

Browning JD, Baker JA, Rogers T, Davis J, Satapati S, Burgess SC. Short-term weight loss and hepatic triglyceride reduction: evidence of a metabolic advantage with dietary carbohydrate restriction. Am J Clin Nutr. 2011;93(5):1048-52.


Na clínica, observamos que a redução da ingestão de carboidratos tem eficácia na redução de peso e de circunferência da cintura. Se esta redução estiver associada a redução calórica, uso de faseolamina e exercício físico, a redução de peso é mais acentuada.Quando há redução de IMC, Circunferência da Cintura, consequentemente haverá melhoras no quadro geral do indivíduo obeso ou com sobrepeso, prevenindo ou tratando doenças não transmissíveis-DNTs. 
Os  resultados obtidos na pesquisa acima referida, é um grande achado no tratamento da DHGNA patologia muito frequente em mulheres adultas, independentes de estarem com sobrepeso ou não, visto que  é uma redução eficaz sem ser excessiva. Principalmente se as 20g diárias for de carboidratos simples.

Profª Ms Linda Susan de Almeida Araújo, Escola de Nutrição da UFBA, Salvador, 01/05/11

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Oficina de farinha de feijão branco e o uso da faseolamina para perda ponderal

Professora e aluna no exercício do saber e do saber fazer,

OBESIDADE E RISCO À SAÚDE

As taxas de obesidade vem aumentando no mundo inteiro, afirmam as pesquisas epidemiológicas. Os humanos variam na sua predisposição genética ao sobrepeso em resposta às condições ambientais.A obesidade moderna é uma resposta biológica previsível as nossas novas condições ambientais.Constata-se este fato à resposta da população ao consumo de alimento processado de menor preço em relação ao alimento in natura, que ainda demanda tempo, energia e trabalho para ser preparado.
A epidemia de obesidade foi descrita como uma doença neuro-química recidivante, decorrente entre o hospedeiro e o ambiente.

O gasto energético é fator determinante no equilíbrio ponderal. O que observa-se atualmente, é que, a relação entre a ingestão e gasto energético está desequilibrada. Os alimentos calóricos são mais atrativos, o tempo disponível para a alimentação diminuiu, e ainda tempo para aquisição de gêneros e preparo das refeições praticamente desapareceram nas grandes cidades. Associa-se a estes fatos, o sedentarismo da sociedade moderna, a qual alterara o gasto energético e o organismo humano busca se adequar as estas mudanças ambientais. Quando o consumo calórico é maior que o gasto energético, o desequilíbrio energético provoca desordens metabólicas, as quais levarão o indivíduo a desenvolver a síndrome metabólica , e a obesidade é parte desta síndrome.

A estimulação da termogênese é atualmente um caminho pesquisado pela tecnologia dos alimentos. A cafeína isoladamente ou em combinação com outros extratos vegetais comestíveis pode aumentar o gasto energético em até 100kcal/dia, esta ação tem interessado muito a indústria de alimentos. Este uso poderia minimizar os efeitos deletérios da alimentação fast food tão consumida nos últimos tempos. No entanto, a atividade física voluntária é o único componente de gasto energético que temos controle direto, e é o modo mais promissor de perda de peso, de prevenção e controle da obesidade, claro associado a uma alimentação personalizada.

O apetite e a saciedade, são outros fatores interferentes no controle de peso. Estas são sensações de interações de sinais, percepções sensorias, distensão do estômago, mensagens hormonais e neurais enviadas do trato gastro intestinal do cérebro ao resto do corpo. Esta complexa rede de sinais é responsável pela regulação da ingestão de alimentos. Comportamentos aprendidos, padrões de alimentação e sinais externos( exposição a propaganda midiática), ambiente de casa ou do trabalho e relações pessoais, são significativas.
Pesquisas recentes sugerem que alimentos ricos em açúcar e gordura aumentam a expressão dos sinais de fome, reduzem a resposta a sinais de saciedade e ativam o sistema de recompensa( um dos fatores que levam ao prazer de comer). A alta palatabilidade de alimentos ricos em açúcar e gordura poderia levar ao hiperconsumismo passivo. Ouvir os sinais de fome e saciedade do corpo, deve ser proposto como um possível tratamento da obesidade e para evitar o ciclo engorda/emagrece.

A obesidade também está associada aos processos inflamatórios. Os adipócitos, liberam moléculas bioativas, dentre elas proteínas com baixo peso molecular que promovem inflamação, considerada causa principal no desencadeamento da doença cardiovascular. A exemplo do fator de necrose tumoral, que ativa mudanças inflamatórias no tecido vascular e ainda interfere na sinalização da insulina e causa resistência à insulina.

A densidade energética dos alimentos é uma abordagem para controle ponderal que visa a saciação e a saciedade, aumentando a proporção de alimentos ricos em água e fibras, reduzindo desta forma a densidade energética das refeições. A palatabilidade baixa destas refeições dificulta a adesão ao tratamento.
A alimentação rica em proteínas é uma linha de tratamento por curto período e monitorada, que também usa a saciação e a saciedade, com uma vantagem, a alta palatabilidade das refeições e a independência da grelina e leptina. Outros hormônios estão envolvidos na saciedade como a colecistocinina e o peptídeo glucagon símile 1, que são secretados em resposta a nutrientes no trato gastro-intestinal.

Para perda de peso, a redução calórica deve ser de 500kcal/dia por longo período, associado ao gasto energético e a mudanças de estilo de vida e moderação. No planejamento alimentar o nutricionista deve considerar, além de todos os elementos da relação saúde/doença, os fatores ambientais, sociais, de trabalho, de exposição midiática, de como este indivíduo se relaciona com a comida e principalmente seus valores culturais, os quais vão fornecer dados concretos que serão determinantes na adesão ao tratamento dietoterápico.

Dentre das muitas ações propostas pelos estudiosos, uma tem demonstrado na clínica nutricional, ação efetiva na perda ponderal e na redução da medida da circunferência da cintura, o uso de uma grama de dia de farinha de feijão branco. A ação ocorre por conta da faseolamina, substância presente na farinha de feijão branco e que atua inibindo a absorção de 20% dos carboidratos ingeridos ( UDANI, 2005), desta forma reduzindo a glicemia pós-prandial ( após a refeição ) e a resposta insulínica. Quando associada à redução da ingestão calórica, a exercícios fisicos e a mudanças no estilo de vida, maximiza a perda ponderal.
Ingredientes e utensílios para o processo
Com base neste estudos executamos professor/alunos da escola de Nutrição da UFBA, oficina de trabalho com as usuárias do ambulatório de nutrição de adultos do Complexo Hospitalar HUPES/Magalhães Neto, para processamento da farinha de feijão branco como parte da Consulta em Grupo mensal. Oficinas de: aproveitamento integral da abóbora e consumo responsável são as propostas para as oficinas subsequentes.
Usuárias atentas as imformações

ProfªMs Linda Susan de Almeida Araújo, Escola de Nutrição da UFBA, Salvador/BA, 30/09/10

segunda-feira, 20 de julho de 2009

FASEOLAMINA:inibidor de absorção de carboidratos.

Foto,fonte: www.alimentacaosaudavel.org

FASEOLAMINA

O feijão contém uma glicoproteína chamada de faseolamina que inibe a ação da enzima alfa-amilase e conseqüentemente a conversão dos carboidratos em glicose. Este efeito de reduzir a absorção de glicose diminui a ingestão energética resultando em menor ganho de massa corporal. Além disso, este efeito auxilia a manutenção dos níveis normais de glicose.(UDANI,2004)

A pesquisadora e nutricionista Renata Ramos (2009), afirma que, o efeito benéfico da faseolamina só acontece no nosso organismo, se ele for ingerido na forma de farinha, uma espécie de extrato de feijão-branco que é bem fácil de fazer em casa.

Depois de ser lavado normalmente, é preciso secar bem o feijão: no sol ou sobre o papel toalha. Nunca no forno. Porque, segundo a pesquisadora, o feijão só tem efeito emagrecedor se não for cozido.

Depois, é só triturar no liquidificador e peneirar. Se quiser a farinha bem fininha, pode passar também no processador. É bom fazer em pequenas quantidades que para o extrato não fique velho e deixe de fazer o efeito desejado. Que é cerca de 20% dos carboidratos ingeridos não seja absorvido.

A pesquisadora relata que, o estudo mais recente que comprova que a farinha de feijão ajuda a emagrecer foi feito pela Universidade da Califórnia, em Los Angeles. Ao todo, 50 adultos obesos fizeram uma dieta saudável, mas apenas metade recebeu farinha de feijão antes das refeições. A outra parte, sem saber, recebeu farinha sem efeito. Depois de oito semanas, quem ingeriu o extrato de feijão-branco estava, em média, 1,7kg mais magro e com o nível de triglicerídeos três vezes menor do que os que receberam só o placebo. Outros estudos registram perdas de peso de até 4% em apenas 30 dias. O bom é que, além de emagrecer, o extrato de feijão-branco também ajuda a prevenir o diabetes.

A receita é uma colher rasinha em um copo d’água, duas vezes por dia, porque são duas refeições principais. “Não adianta consumir mais, porque não vai emagrecer mais. Você tem que comer é em torno de um grama por dia. Então, você pode pesar um grama e comer isso durante o dia”, sugere a nutricionista.
Se o consumo exceder 1g/dia, pode causar diárreia, como efeito colateral e também problemas intestinais e náuseas pela toxicidade.

REFERÊNCIA

UDANI J, Hardy M, Madsen DC. Blocking carbohydrate absorption and weight loss: a clinical trial using Phase 2 brand proprietary fractionated white bean extract. Altern Med Rev. 2004;9(1):63-9.


Linda Susan 21/07/09